Os cinco sentidos de Luiza Osório nos azeites Cinque Olive
Luiza Osório colhe olivas na propriedade familiar que produz os azeites de sua marca (foto: arquivo pessoal)
Ela faz azeites com sensibilidade e paixão, como faz tudo que leva sua assinatura. Uma mulher nas coxilhas da fronteira do Rio Grande do Sul quer deixar um legado da importância e poder da origem, das raízes, da terra e sua história, com sua criatividade e arte.
Gosto quando um produto traz consigo a paisagem de onde veio. A Cinque Olive nasce nos campos da Estância Santa Leonida, em Rosário do Sul, propriedade da família Vasconcellos Osório há mais de 170 anos no Rio Grande do Sul. Foi ali que Luiza Osório plantou os primeiros olivais, em 2017, convertendo tradição familiar, paciência e intimidade com a terra em azeites extra virgens de colheita precoce.
No Rio Grande do Sul, as oliveiras já podem oferecer os primeiros frutos por volta do terceiro ano de plantio. É uma precocidade ligada menos a alguma possível pressa da terra gaúcha do que às variedades escolhidas e aos sistemas modernos de cultivo — embora sejam necessários mais alguns anos para que o olival alcance sua maturidade produtiva.
Os varietais expressam, cada qual à sua maneira, o vento aberto, as coxilhas e o ritmo particular do Pampa — um território que não aparece apenas como endereço, mas como ingrediente desses sabores. O nome Cinque partiu dos cinco sentidos, convocados pela produtora ao saborear os azeites — a proposta vai além do que sentimos no aroma e no paladar. O azeite começa a ser experimentado antes mesmo de chegar ao prato: na forma da garrafa, no toque dos materiais, nas cores, na delicadeza com que cada safra é narrada na voz de sua autora.
Essa dimensão sensorial revela o olhar de Luiza para a arquitetura, o design, a moda e a gastronomia. Outra de suas criações artísticas é a marca de roupas Fika, confeccionadas em seda pura brasileira e lã de merino, ovelha cuja lã é tida como a mais nobre para vestimentas e decoração. Luiza é formada sommelier de azeites no Uruguai, na Facultad de Química da Universidad de la República (UdelaR) e viajou o mundo para estudar e conhecer os países produtores, entre eles Portugal, Espanha, Itália e França.
Três momentos da oliva Picual cultivada na Estância Santa Leonida (fotos: arquivo pessoal)
Das variedades cultivadas, há a arbequina: macia, de frutado verde delicado, remetendo a frutas e castanhas; a koroneiki, mais perfumada e herbácea, que ressalta perfumes da grama fresca; a frantoio, lembrando a amêndoa verde, pinhão, avelã, castanhas em uma picância elegante. A picual é a mais vigorosa: seu paladar leva à folha de tomate, banana e pimenta verdes — oferece um corpo firme e um final herbáceo que permanece.
O repertório da marca vai além dos monovarietais. Em um pomar com 15 hectares, Luiza prefere escutar o que cada colheita oferece a perseguir grandes volumes. Produz blends, combinações autorais e edições especiais que não precisam se repetir de um ano para outro: são interpretações da safra, compostas a partir da harmonia dos óleos obtidos naquele ciclo. É com essa ideia que estamos desenvolvendo um blend especial para o Carlota a ser lançado no final do ano.
O pomar na Estância Santa Leonida: paisagem luminosa (foto: arquivo pessoal)
Na Estância há também uma área experimental de Coratina, variedade italiana de perfil intenso, que deverá em breve se somar às expressões da casa. O projeto para 2026 leva essa ideia ainda mais longe, com lotes únicos e uma tríade de azeites batizados de Velato, Intuizione e Insano: três caminhos nascidos do mesmo território.
O tempo foi generoso em 2026. Segundo as análises da safra compartilhadas por Luiza, alguns azeites alcançaram acidez livre de apenas 0,08%, índice extraordinariamente baixo — um décimo do limite máximo de 0,8% estabelecido para a categoria extravirgem. A última colheita de qualidade comparável foi em 2022. Ainda assim, para a produtora, uma safra excepcional não é convite para fazer mais, mas para escolher melhor: engarrafar somente aquilo que corresponde ao padrão da Cinque. Esse compromisso está registrado no rótulo: cada garrafa leva a análise química correspondente àquela cultivar e àquela safra — o retrato técnico do azeite que está ali dentro. É uma maneira de dar transparência ao produto e, ao mesmo tempo, levar um aprendizado ao consumidor.
Os azeites Cinque Olive participam de concursos nacionais e internacionais — Brazil IOOC - International Olive Oil Competition, Leone d’Oro, Olivinus, Flos Olei, esse um guia e concurso mais prestigiado do mundo de azeites de oliva extra virgens. Neste ano, até o momento, a participação do Cinque Olive no EVO ITALY IOOC 2026 – International Olive Oil Contest garantiu à marca medalhas de ouro para os monovarietais frantoio e picual.

