As muitas vidas e histórias de Miguel Hernandez

O chef peruano vive na cozinha e em empreendimentos pelo mundo, construindo marcas, confirmando a riqueza de sua cultura e gastronomia.


Nunca faça nada pela metade! Miguel Hernandez coloca em prática as palavras de seu pai em todos os seus empreendimentos. Por conta do conselho, o consagrado chef limeño se formou advogado — não iria deixar o curso de Direito sem concluí-lo, mesmo que não fosse exercer a profissão. Ele queria ser cozinheiro. Miguel é uma estrela de grande sucesso na gastronomia mundial: criou uma cadeia de restaurantes premiados de culinária comfort peruana, um mercado de comidas na capital do país, um bistrô de cozinha do Peru em Miami, nos EUA, e, hoje, o melhor restaurante italiano de Lima.

Miguel Hernandez: irrequieto e realizador (foto: Miguel Carrillo)

Tudo isso em 20 anos.


Foi em meio a essa explosão criativa que nos conhecemos: cozinhamos e viajamos juntos, formamos um quarteto com Carol e Carlito (Carolina Brandão e Carlos Siffert), carregando carnes, pescados, a culinária e a cultura de nossas raízes pelo mundo. É um legado de conquistas, histórias, receitas, amizade e admiração que agora Migue decanta para dar vida a mais realizações em sua trajetória.

Uma de nossas aventuras na cozinha: o quarteto fantástico no Peru (arquivo pessoal)

O homem não para.

Com a formação em Direito cumprida, Miguel foi estudar na ESHOB — Escola Superior D'Hostaleria de Barcelona, vivendo na cidade a efervescência da gastronomia espanhola dos anos 2000. Conheceu as comidas do mundo e compreendeu o valor da cozinha de seu próprio país, quando a culinária do Peru ainda não se tornara o retumbante sucesso mundial, ao receber o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, concedido ao ceviche peruano em 2023.


“Me encanta servir” — ele define sua profissão de cozinheiro. Essa é outra herança do pai, e também do avô: em sua família, a cozinha era dos homens. Com Marisa Guiulfo, em La Bonbonniere e no Gambas, ele iniciou a jornada profissional; ela, uma das pioneiras do boom da gastronomia peruana. A identidade única da cozinha do Peru sempre esteve na mente e no coração de Miguel e sua participação no reconhecimento desse tesouro da Latinoamérica para o mundo foi importante: nascia La Nacional, primeiro restaurante a servir jantares com comida peruana típica em técnicas de alta gastronomia. “Um comfort food peruano”, nos contava Miguel à época. A marca cresceu, tornou-se uma rede com quatro casas no Peru e duas no Chile, e contribuiu para levar Miguel Hernandez e a gastronomia nacional ao infinito e além. Os prêmios vieram e muitos convites: um deles, para cozinhar nos Estados Unidos, na conferência da ONU — um jantar com cinco mil convidados. Em alguns desses momentos, estivemos todos juntos novamente, o infalível quarteto fantástico.

Culinária clássica italiana na Osteria Convivium:

fettuccine ao funghi e spaghetti com zucchini e gamberi (fotos: divulgação)

A Osteria concentra, agora, seu olhar e presença, assumindo a casa, os 120 lugares e o título de melhor restaurante italiano no Peru.


Como bom escorpiano que é, viajante conectado, Miguel vive ligado nas tendências gastronômicas ao redor do mundo. Dedicado e habilidoso, pratica uma culinária cosmopolita e instigante.

Miguel vai recomeçar, aos 45 anos, que irá completar em 2026, a partir de um novo começo, “com mais histórias felizes”. Ele tem planos de uma nova casa, está às vias de colocar no mercado uma marca de pescados em lata que assina nos Estados Unidos e assegura que o livro, sim, vai sair.


“A experiência dá mais coragem”, garante para mim, que nunca tive dúvidas. Tudo isso eu vi, acompanhei e as novidades ele me contou, quando veio a São Paulo esses dias para cozinharmos juntos celebrando os 30 anos do Carlota. Eu acredito e coloco as

fichas, sempre, no que quer que ele empreender: é sucesso na certa! Dale, Migue!


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